sexta-feira, 04 de novembro de 2011

Gente hiperbólica pra concordar ou discordar. Como não amar? Gente que defende o churrasco de cupim, a feijoada completa, a caipirinha tradicional, o brigadeiro negrinho. Gente que entende a importância dos detalhes. Gente que preza a honestidade e a verdade na vida.
Por isso esse último Jantando no Orkut não poderia ser sobre outro assunto que não comida vegetariana. Ou você é vegetariano ou monogâmico. É impossível negar mais de uma natureza do homem.
Primeiro porque é um vespeiro. E a gente adora um vespeiro desses bem cheios de insetos peçonhentos. Segundo porque muito me irrita a hipocrisia da maioria dessas pessoas. Porque são vegetarianos que usam couro. Ou vegetarianos que bebem leite. Ou vegetarianos que comem ovos. Ou o pior tipo: vegetarianos que comem peixe.
Esses todos são meio fajutos mas pelo menos não são dementes como os veganos. Vegan é o fulano que não come nada de origem animal. Ovo, leite…nada. Minha tese é: antigamente só tinha vegetariano, mas conforme o mundo foi aceitando, alguns resolveram levar a coisa pra um nível ainda mais paranóico e radicalizar.
Curiosidade: TEM VEGANO TÃO CRETINO QUE SÓ COME FRUTA QUE CAI DO PÉ. ELES ACHAM UMA VIOLÊNCIA ARRANCAR A FRUTA DA ÁRVORE…COME PEDRA ENTÃO!! (Tá em caixa alta porque eu fico puta, isso merece uma coça de toalha molhada.)
E piora ainda mais. Existe uma nova onda de jovens “engajados” e “conscientes” que além de serem vegetarianos de araque, ainda tem um discurso politizado mais de araque ainda. São os hippies moderninhos que tem iPhone, ou que são anti-capitalistas que moram com a mamãe e o papai até trocentos anos. Ou fazem USP, ganham mesada e acabam estigmatizando um monte de gente que tá quieto cuidando da vida.
Aliás, muito a se pensar sobre esses USPianos pseudo-politizadões.
Disseram no twitter (me perdi nas arrobas, se manifestem os autores nos comentários), e no meu gtalk:
- Vegetarianos são aquela gente chata que faz uma comida até que boa.
- Vegetariano – adj. 1. Apelido que os ancestrais davam ao idiota da tribo que não sabia caçar e pescar.
- Vegan que guarda moeda no porquinho = poser.
- Pros vegans, sorriso com alface no dente vale mais do que uma piscadinha
- Vegan que não assiste filme porque a película é feita de gelatina animal, vê se não dá vontade de bater.
- Tourada vegan: uma arena, um toureiro e um pé de palmito. desafio: cortar o pé de palmito e botar num pote. riscos: botulismo.
- Quando meu filho me perguntar “O que é contradição?” vou responder “Um vegetariano de bota de couro”.
E eu me pergunto: a melhor forma de provar o ponto deles não seria por exemplo? Levar uma vida feliz e realizada sem cagar regra na cabeça das pessoas? Sem tentar convencer pela culpa? Sem tentar me diminuir enquanto ser humano caso eu não compactue das virtudes aparentemente óbvias deles? Troco ter razão por uma vida com bacon.
Outra coisa: vegetarianos/veganos xiitas, são além de gastronomicamente difíceis, socialmente inviáveis pra qualquer pessoa que não concorde 100% com eles. Como a pirigueti que quer arrumar marido de qualquer jeito. Gente monotemática, enfadonha e prepotente.
Não comer carne não faz de você um ser iluminado. Não garante nem que você seja uma pessoa bacana. Aí o que acontece? Os caras se fecham em uma tribo que execra qualquer um que não marque “x” na caixa ao final dos termos deles de uso do mundo. Sempre que eu entro num restaurante vegetariano eu acho que todo mundo tem cara de “a gente é tão melhor que o resto”.
Radicalismo é um troço escroto e gente monotemática é um porre. Gente monotemática e hipócrita é só uma piada. Ruim.
Outro dia desses tava resmungando sobre imbecilidade que habita o cérebro da namorada de um amigo, pra uma outra amiga que me explicou como consegue conviver com a escrotidão superficial da moça: “fulana é como aquela tia velha falastrona e meio demente que não cala a boca um minuto, e que você coloca sentadinha no canto da sala nas reuniões familiares. Nem ouço o que ela fala.”- é isso que 85% dos vegetarianos, hippies, militantes habitantes de bairros moderninhos são pra mim. Vejo as bocas se movendo mas não ouço som algum saindo.
Quero ver quantos deles seguirão com essas convicções daqui a 10 anos. Ou 15. Ou assim que mesada de papai acabar. Ou a modinha hippie-hipster passar. E acreditem, vai passar. Enquanto não passa a gente vai convivendo pacificamente mas julgando em silêncio, de olho nos atos falhos. Beber leite de vaca não pode, mas pode leite de soja transgênica de fazenda de político mensaleiro.
Só sei que se inventaram o hamburguer de soja, estou aguardando o lançamento da alface de bacon. Aí me jogo na salada. E já adianto: isso não é uma democracia, não é pra você ter xilique com a nossa opinião. A gente pensa assim… Se você quer dizer o contrário, abre um blog e escreve o que você quiser. Ah, a beleza da liberdade de expressão.
Aqui a gente curte uma carne de qualquer espécie… Sangrando, na grelha, no espeto… Vivam com isso, comendo alfaces suicidas ou feijões mágicos.
Amores da tia, tô armando com o Rafael a nova coluna que logo menos deve aparecer. Foi um prazer, voltarei em breve com mais textos sobre nossa venerada cozinha. Foi um universo de pessoas, lugares, experiências que se abriu logo que eu aceitei ser colunista por aqui. Podem ter certeza que não vou me afastar.
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