
Fiquei ruiva desde a última vez em que conversamos. Basicamente eu continuo sendo eu só que com um topping diferente. Ouvi isso de um amigo (gay), e comedor de cupcake.
Cupcake, esse lindo. Juro que não compreendo a magia. É um muffin, correto? Uma Madalena, diria minha avó espanhola. Um bolinho, diria uma criança de 3 anos. Tudo isso, só que uma peruca metida. Um toupet.
Repitam comigo: THERE’S NO CUPCAKE, É SÓ UM BOLINHO METIDO.
E um engodo. Porque na maioria dos casos, a meia dúzia de coisinhas que grudam no topo do negócio justificam o custo astronômico do tal trocinho. E cá entre nós, a graça tá toda no topo (quando tem graça).
Agora, temos que admitir a função social que o cupcake desempenha: salvar casamentos. E a decoração.
Me explico: Existe uma categoria de mulheres que tinha vida profissional, trabalho, e vida antes de casar. E que achou por bem parar de trabalhar algum tempo depois de casar, e possivelmente depois do primeiro filho (com a variação da parada ser entre o primeiro e o segundo), e se dedicar à vida familiar. Acho digno, acho excelente ideia acho que boas mães têm nas mãos o poder de mudar o mundo, simplesmente criando pessoas melhores.

Seguindo, a culpa emergente da classe média e classe média alta: não saber lidar com o fato de não trabalhar. Impressionante como as pessoas simplesmente precisam do trabalho pra preencher as horas de vida livre. Nobres europeus não têm esse tipo de problema. Gente babaca como eu não teria esse tipo de problema. Me arruma uma pequena fortuna e/ou alguém que me sustente e eu serei eternamente ocupada e feliz.
Mas não nossas heroínas. Elas sentem culpa e se sentem inferiorizadas pela roda voraz do mundo capitalista e precisam de uma ocupação remunerada. Aí fazem o que? Cupckes. E montam um site lindinho, ou uma lojinha adorável que faz bolinhos lindinhos sempre, deliciosos raramente. Ah sim, algumas ainda devem fazer curso de decoração de interiores, mas o site aqui é de comida então vou poupar o tempo de vocês.
Mulher casada que tem um blog e vende cupcake is the new aluna carente que vende brigadeiro na sala de aula.
Mulherada do céu. Vai curtir essa vida bacana de vocês sem culpa, vai ver que tem uma porção de coisas fabulosas, lugares, pessoas, drinks (brincadeira). Agora, se a culpa for mesmo inadministrável e você PRECISAR de uma ocupação, faça um curso de decoração. Chega dessa merda de bolinho seco com M&M’s em cima.
Chega de usar Nutella e se achar um gênio da confeitaria. Gênio é o cara que criou a Nutella, você só tá indo no rabo do cometa, passando essa delícia no seu bolinho seco e enfeitando as mesas de chá de bebê das suas amigas. Não tá enganando ninguém não, moça.
Liberte as frutinhas e deixe elas voltarem pros potinhos de Frozen Yogurt, ou seguirem a vocação natural e virarem geléia. A senhora tá tumultuando o equilíbrio ecológico gastronômico, tá errado demais isso aí.
Caso a senhora vá insistir, venda só a glande do bolinho. Com o resto a senhora faz tostex doce. Passa Nutella entre dois como se fosse um sanduíche e coloca na tostequeira. Não é uma receita, nunca experimentei, mas PIOR que uma bunda de cupcake não vai ser.
Cupcake é um biscoito recheado invertido. Se o recheio vem por cima, você come e joga o resto fora.
Luta dona, melhora isso aí. A senhora atualmente é derrotada pelo simplório mas delicioso bolo Pulmmann de chocolate (ou mármore, ou de laranja). Ninguém come site, por mais lindinho que seja. Eventualmente as pessoas vão comer o que você vende, e talvez elas não tenham um copo de água pra ajudar a mastigar, e morram sufocadas com aquele concreto doce de padaria de quinta na boca.
CHEGA. DESSA. MERDA.




