sexta-feira, 03 de junho de 2011

Eu juro que não sumi por vontade própria.
Eu não posso dizer quem, mas alguém, que não eu, teve uma viagem de última hora e acabou que a coluna de sexta ficou sem atualização. Agradeço os milhares de e-mails e mensagens no facebook/twitter. Ainda não fui demitida, ainda não fui processada, ainda não morri assassinada por adoradores de sakerinha de frutas vermelhas.
Eu achei essa pausa até boa, vocês foram ver a vida lá fora e colocar em prática tudo de bonito que a gente tá tentando, humildemente, passar aqui. Vem na nossa, gente, que a vida vai ser um sucesso.
Acabou que essa pausa estratégica foi boa. Também fui ver a vida lá fora. Já pode reclamar do frio? Em São Paulo pelo menos ele chegou. Adoro, mas tem suas desvantagens. Se você é mulher, ir na depilação é um troço medonho no calor, e cruel e medonho no frio. Pensando nisso entrei no mundo maravilhoso dos sites de compras coletivas pra incluir umas sessões de depilação definitiva no meu orçamento.
Ah, os sites de compras coletivas. Já desconfiava mas constatei que eles são turbo orkutizadores de coisas que até eram “legais”. Manifestação conjunta da pão durice da classe média, do sobrepreço que nos enfiam goela abaixo, e do desespero de causa dos comerciantes e empresários.
Tínhamos em São Paulo um programa que passava nas noites de sábado que se chamava Shop Tour. O genial Caleb (Kaleb? Sei lá) comprava um horário de quase nenhum IBOPE de uma rede de tv local, dividia o horário por um número ‘x’ de cotas de tempo, vendia esse tempo para comerciantes que quisessem fazer promoções loucas, e produzia uma ‘matéria’ onde um apresentador visitava a loja em questão e apresentava as ofertas.
Funcionou (talvez ainda funcione) maravilhosamente bem durante toda a década de 90, até a instabilidade financeira começar a castigar os menos preparados, e capacitados, pra competir de verdade. Aí então descobriram que anunciar promoções impensáveis no Shop Tour era uma forma de tirar um pé da merda, e manter a bicicleta andando. Muitas vezes, o desespero era tamanho que o sujeito aceitava vender o produto pelo custo, pra bancar as dívidas com fornecedores, ou abaixo dele por desespero total.
Sites de compras coletivas são uma puta ideia, e partem da noção simples de que quando se achata o lucro, mas se atinge uma montanha de pessoas, por mais que tenha sido reduzido o valor, se faz uma montanha de dinheiro. É a minha tese antiga de que se cada pessoa em SP me der 1 real, eu fico rica e ninguém fica pobre. Terei feito fortuna mendigando, mas em tese serei rica.
Descobri nas minhas aventuras pelo mundo da cobiça econômica virtual uma série de restaurantes que entraram nessa. Claro que pode ser uma manobra comercial, pra atender o maior número possível de clientes e conquistá-los, mas eu não acho que é isso. Acho que como o Shop Tour acabou fazendo, tirando os raros lojistas que se assumem shop tour e abraçam o capeta das promoções, os donos de restaurantes entram nessa por desespero de causa.
E eu não entendo como isso pode ser solução no caso dos restaurantes. As pessoas atraídas pelos site normalmente não são o público da casa, pingam de promoção em promoção sem fidelidade nenhuma, e nunca mais vão querer pagar o preço cheio do seu cardápio.
Isso sem contar os seus clientes, que além de se sentirem completos idiotas por terem gastado 2 ou 3 vezes mais do que você cobra numa situação dessas, dificilmente serão atendidos com o mesmo padrão de qualidade. Supondo que qualidade seja um preocupação da casa. Supondo que o sujeito se importe. Supondo que o dono entenda que localização física, escolha do cardápio, do padrão de qualidade, e os preços são o que determina o tipo de público que ele quer atender. Distorcer qualquer um desses valores de forma tão radical, transforma o lugar num bandejão, pra gente que acha que é melhor do que frequentadores de bandejão.
Talvez se os restaurantes estabelecessem um dia por mês pra servir o sopão da cruz vermelha versão 2.0 o estrago fosse menor. E pelo menos os clientes costumeiros ficam avisados e não passam nem na porta pra não se irritarem.
Com ajuda do lindo do Rafael, fiquei sabendo que a coisa funciona geralmente assim: se o valor de um prato é 100 reais, ele precisa ser vendido por 50 no site e destes, 25 ficam pro restaurante e 25 pro site. Bom negócio pro dono do site, péssimo pro restaurante.
Descobrimos aqui que queríamos ter um site de compra coletiva.
E advinhem só: já podemos. Já existe até um site para você fazer o seu proprio site de compra coletiva, sabia? Nao é mentira clique aqui e monte seu império.
Fica estabelecido então que a ideia genial do Destemperados fica valendo como operação guerrilheira contra restaurantes em sites de compras coletivas:
Se você estiver afim de ir num restaurante que já fez promoção em site de desconto, ligue e proponha pagar 30% do valor original do prato, só que fora do dia da promoção. Ou seja, 30 reais naquele prato que custaria 100 reais, e está sendo vendido no site por 50. Afinal, o sujeito de fato só vai receber 25 do site…
Todos ganham e você escapa de ter seu e-mail invadido por centenas de milhões de ofertas de coisas que não te interessam. Ou ter que comer perto de gente que fala alto.
Se bem que, rolando uma venda coletiva de iPads, to meio que interessada. Ou diamantes Tiffany.
Ah é, essas vendas nunca vão acontecer. Os donos destas marcas têm um nome a zelar, e clientes pra cuidar.
Site de compra coletiva é como conseguir dar pro Javier Barden, só que só por 20 segundos, depois de uma fila, e dele ter comido mais de mil mulheres, homens e quem mais se interessar.
To bem distante dissai.
Continuem deixando sugestões nos comentários.
O que orkutizou na sua opinião? A gente obedece mesmo.







