segunda-feira, 20 de junho de 2011

Há alguns meses atrás quando a coluna da Carolina entrou no ar eu sabia que colecionaria alguns desafetos, que algumas pessoas se chateariam, sabia que ia perder seguidores no twitter mas liguei o f#da-se apostei no talento moleque da garota e toda sexta é sucesso garantido. No último texto eu brifei a Carolina pra falar de CUPCAKES, e no meio dos mais de 300 comentários, xingamentos, ofensas, gargalhadas eu recebo um email super simpático da Luana, dona de uma loja de cupcakes pedindo direito de resposta. Respondi o email dizendo que não seria possível, imaginem se depois de todo texto da Carolina eu publicasse um texto de alguém como resposta? Não tem como, respondi. Inteligentemente a Luana me perguntou: e se eu comprar um espaço no teu site, um publieditorial, posso dizer “o que eu quiser?” Eu respondi que sim e ela mandou o seguinte…
Existem momentos na vida em que a gente se pergunta: “qual o real valor do meu trabalho?” Já passei por estes momentos algumas vezes.
Sou leitora do Marketing na Cozinha e admiro sua forma realista e prática. Me divirto com seus achados, Rafael. Esta moça Carolina não deixa de ser um achado. Tenho certeza que a maior parte dos profissionais do ramo da gastronomia que passeiam por aqui irão concordar comigo: Carolina exagera, mas trata de uma questão que não irá mudar os rumos da humanidade, mas que afeta nosso mundo: a vulgarização do profissional de gastronomia.

Absolutamente nada contra a dona de casa que faz do hobby um ofício, e uma fonte de renda. Grande parte das grandes banqueteiras e confeiteiras começaram assim, na cozinha de casa, espiando e armazenando a experiência toda. Cheiros, tempo, gosto, carinho, cuidado. Não existe como aperfeiçoar a culinária de outra forma, a paixão pela gastronomia surge assim e não na sala de aula. E é preciso paixão para se dedicar a este ramo.
Então a Carolina chegou, como eu sempre soube que chegaria, aos cupcakes. E criticou sem piedade ou meias palavras. Acertou muito mais do que errou. Generalizou e foi injusta, mas é um retrato que ela descreveu, não pintou. O mercado pintou.
Fiquei furiosa, depois aliviada com o desabafo, e finalmente pensativa. O que será que a Carolina pensaria dos meus cupcakes? Me fiz Carolina e encomendei na minha loja os meus próprios cupcakes, como se fosse uma cliente.
-Cheesecake de amora
-Chocolate com doce de leite coberto com casquinha de chocolate
-Limão com recheio de creme de limão e cobertura de marshmallow dourado
-Chocolate com creme de chocolate meio amargo
Embalados dois a dois, chegaram no prazo. Um escuro e um claro por embalagem. Não são grandes demais, o que torna minha missão menos calórica e mais divertida. É possível comer mais de um, sem grande sofrimento.
Sentei com os 4 cupcakes, uma xícara de café, prato e faca, meu trabalho me encarando e eu fazendo a Carolina. Cortei os 4 ao meio e comecei a experimentar pelo de casquinha de chocolate, que se desfez lindamente, deixando o doce de leite à mostra. Nem muito ou pouca cobertura, suficiente chocolate e doce de leite para complementar a base de chocolate, fresca e nada seca. Muito melhor que o bolo Pullmann da Carolina, rs. Entre os quatro, ficou no top 2.
Depois experimentei o de limão e marshmallow, e o de creme de chocolate meio amargo. Em nada lembram os cupcakes criticados na crônica de sexta feira.
Por último o que visualmente me pareceu mais tentador: cheesecake de amora. Este eu confesso que comi inteiro. Uma delícia. Massa, base, cobertura. Meu preferido. Missão cumprida. Mente tranquilizada.
Rafael e Carolina, meu intuito com isso é dizer que profissionais prezam pela qualidade, respeitam o tempo, o dinheiro e o paladar dos clientes. E que também sofremos com essa tal “orkutização” da gastronomia, e as modas passageiras que acabam colocando tudo no mesmo balaio.
Parabéns pelo site. Deixo aqui um convite para que conheçam meu trabalho.
Luana






