sexta-feira, 04 de fevereiro de 2011
Inaugura-se hoje aqui no blog um novo espaço para falarmos, ou melhor, pra Carolina Mendes falar de gastronomia como a gente gosta. Sem frescura. Sem pudor, sem mimimi. E pra começar com o pé direito (na porta) dá uma babada aí…
Usada com freqüência pra acentuar a desgraça que é a política brasileira, venho por meio deste (post) alertar vocês, queridos e amados leitores, que sua vida amorosa também acabará em pizza.
Pensem. Ninguém se lembra de um jantar romântico, de horas, regado a conversas excitantes, revelações e surpresas, que aconteceu em uma pizzaria. Jantar na pizzaria NUNCA passará do que é, só um jantar na pizzaria. E o babaca ainda te ilude, tenta te fazer achar que está acontecendo alguma coisa, porque você tirou o pijama pra ir até lá, mas não se engane, não está.
“Amigos de pizzaria” formam a resistência preguiçosa, que tarda em admitir que vocês já não tem tanto assunto, interesses ou atividades em comum. Aplicado ao relacionamento, a coisa piora. Por muitos dos mesmos motivos e outros ainda mais graves. Jantar na pizzaria com o “morzão” é cumprir o protocolo burocrático. “Tá, eu te pego, e a gente vai comer uma pizza”. Senta ali Cráudia.
Você não vai se arrumar linda e perfumada, afinal é só uma pizzaria, não um restaurante propriamente dito. Com decoração propriamente esforçada e pessoas querendo curtir o momento. As outras pessoas provavelmente são do grupo de amigos descrito anteriormente, ou da categoria inferior a dos “casais de pizzaria”, são as “famílias em pizzaria”.
As “famílias de pizzaria” normalmente são compostas por pessoas que têm certo grau de intimidade mas não moram juntas. E não quiseram marcar o jantar na casa de nenhum dos partícipes. Ninguém quer se dar ao trabalho, e nem gastar dinheiro. Marcaram na pizzaria porque é BARATO. E a conversa é chata e o trâmite todo dura pouco. Todos estão ali por pura obrigação.
Agora vem a parte que eu quero que vocês compreendam e memorizem, porque serve de alerta e tudo que eu quero na VIDA, é ver vocês amados e bem comidos, SEUS LINDOS.
Alguns fatos sobre seu jantar com o seu “benhê” ou com a sua “gatinha”:

1- Vocês não vão conseguir conversar, porque os grupos de amigos reprimidos que acham que pizzaria é um programão vão abusar da caiprinha (forte e doce DEMAIS) e vão começar a contar causos do tempo do guaraná com rolha, aos berros. As esposas e ou maridos, que não são da turma vão tentar se impor na conversa por insegurança, e a gritaria estará armada.
2- Crianças correrão livres e soltas pelo ambiente, puxando o avental do garçom, que está TE atendendo pra pedir “moço me dá uma coca/ suco/ bolinha da massa/ um tiro na testa”. Depois de algum tempo a mãe vai atrás da criança, para fingir interesse e/ou escapar da mesa familiar ou dos amigos, e vai puxar assunto com você, porque a pentelha da criança tá na sua mesa puxando assunto e perguntando “do que é a sua pizza?”, “eu só gosto de pizza de queijo”.
3- O garçom vai ficar interrompendo a qualquer sinal de que você chegou no 1/3 final da tua fatia. E normalmente eles não ACEITAM o fato de que vocês estão satisfeitos e acabam vencendo pelo cansaço. Acabam colocando mais e mais comida na sua frente, entupindo vocês. E ninguém, consegue fazer sexo de qualidade entupido de comida.
4- Se é sexta, sábado ou domingo (e normalmente é), estar na pizzaria, em roupas confortáveis, significa que vocês chegaram num ponto, em que não tem real vontade de fazer nada de fabuloso juntos. Não perdem nem tempo mais, lendo o caderno cultural, esportivo, guia de cinema ou qualquer coisa que possa durar mais do que 75 minutos e/ou interferir na novela.
5- Não se engane, não é vontade de pizza, vontade de pizza se resolve pedindo pizza em casa. É vontade de cumprir obrigação, e disfarçar o nada que a vida a dois de vocês se tornou.









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