Boteco São Bento (aprenda como não fazer)

“Os blogueiros e twitteiros são os motoboys da internet. Mexeu com um, todos param para defender”. A frase que está se proliferando no Twitter mostra como a rede social de frases curtas tem se mostrado um poderoso instrumento de mobilização popular. Desde a semana passada, a internet está sendo palco de uma verdadeira briga de bar. E das boas. Tudo começou com um post do blog Resenha em 6 que criticava o Boteco São Bento. O bar fica numa das esquinas mais movimentadas da Vila Madalena, bairro boêmio de São Paulo.
O post usava termos chulos para descrever o serviço do estabelecimento e foi comentado por um internauta que se identificou como Jonas Steinmayer, funcionário do bar. No comentário, Jonas dizia que as medidas cabíveis em relação ao blog já estavam sendo tomadas.
Foi o que bastou para chover comentários desmoralizando o Boteco São Bento pela atitude. Por meio de sua assessoria de imprensa, o bar se apressou em negar que Jonas pertencesse a seu quadro de funcionários. Também cogitava processar os administradores do blog, que não tiraram o comentário do ar, mesmo sendo supostamente falso. A matéria completa sobre a contenda está no site de Época São Paulo.
Para piorar a situação, blogueiros começaram, hoje, um protesto no Twitter contra o bar. Passado menos de uma semana do ocorrido, Rafael Quatrocci, responsável pelo post, recebeu uma notificação extrajudicial, pedindo que fossem deletados o post, os comentários e até frases no Twitter que foram motivadas pela publicação do post.
Revoltados com o que aconteceu, usuários do Twitter decidiram levar a hashtag #saobentofail aos Trending Topics. Ao mesmo tempo, um vídeo mostrando uma suposta agressão a frequentadores começou a circular na internet.
Para o bar Boteco São Bento, fica a lição de que pouco adianta ser bem avaliado na Vejinha, no Guia da Folha, no Guia da Semana e o escambau se logo na primeira página de uma busca no Google, o resultado é a treta. Tem outra: quanto mais o bar se fechar ao diálogo, a tendência é que o barulho da horda furiosa aumente, ocasionando mais posts, mais aparições na primeira página do Google, mais pautas na imprensa… Vocês já conhecem o roteiro.
Talvez realizar uma noite de bar fechado para os críticos, para que eles possam tirar a sua má impressão sobre o bar e para que os donos dialoguem, expliquem e aceitem algumas das sugestões recebidas. Talvez até menos, como colocar um assessor para falar diretamente com os blogueiros do Resenha em 6. Talvez nada disso, mas algo para atenuar os efeitos das palavras de ordem como “censura não!” e “liberdade de expressão”, uma vez que o os verdadeiros donos disseram-se a favor do livre pensamento. Ou não levem a sério. São só idéias!
A Folha Online publicou na íntegra o pedido extrajudicial enviado ao blog Resenha em 6. Nele, o pedido é para a exclusão completa do post e dos comentários. O bar escorregou mesmo no quiabo e toda a manifestação contra a tentativa de calar o diálogo (que já pode ser encarada como censura) é bem-vinda. A carta está aqui. Via Via Via


















Comigo aconteceu, claro, em muito menor escala, algo parecido. Ao colocar uma crítica em meu blog sobre o restaurante carioca Ponderox High Grill, o Diretor de Operações da casa comentou o post de maneira, digamos, desastrada, e foi logo criticado por outro usuário do blog que saiu em minha defesa.
Veja o post:
http://comidaladob.wordpress.com/2009/06/17/paguei-pra-ver-ponderox-high-grill/
O importante é as empresas, ou pessoas que as representam, entenderem que a lei da mordaça não adianta na internet. Bloqueou um post aqui, pipoca um movimento no Twitter. Mandou tirar do Orkut, aparece no YouTube. O importante é estar aberto ao diálogo.